Interpelação do PCP ao Governo ontem no Parlamento

Taxa de desemprego <br>desmente propaganda

A taxa de desemprego atingiu os 8,4 por cento em sentido estrito, o que corresponde, em sentido lato, a mais de 600 mil desempregados (10,8 por cento). Esta é uma das taxas mais altas das últimas décadas.

O Primeiro-Ministro nunca fala sobre o desemprego

Para o líder parlamentar do PCP, estes valores constituem o melhor desmentido às acções de propaganda do Executivo.
«A realidade desmente a propaganda do Governo», afirmou Bernardino Soares, na passada segunda-feira, em declarações ao Avante!, antecipando ser este um dos temas fortes a colocar ao Governo na interpelação agendada por iniciativa do PCP para ontem no Parlamento.
«O Governo bem pode dizer o que quiser, nomeadamente que aumenta o número de empregos, que isso não altera a realidade dos factos: o que aumenta é o número de desempregados», sublinhou o presidente da bancada comunista.
Segundo dados divulgados na semana transacta pelo Instituto Nacional de Estatística, a taxa de desemprego estimada para o primeiro trimestre foi de 8,4 por cento, mais 0,7 pontos percentuais que no mesmo período do ano passado.
Comparando-a com o último trimestre do ano passado, a taxa de desemprego sofreu um acréscimo de 0,2 pontos percentuais, pelo terceiro trimestre consecutivo, de acordo com as estatísticas do emprego.
A população desempregada foi estimada em 469,9 mil indivíduos, o que traduz um acréscimo homólogo de 9,4 por cento (40,2 mil indivíduos) e um crescimento trimestral de 2,5 por cento (11,3 mil indivíduos).
«Exigimos que o Governo se pronuncie sobre estes dados. O Primeiro Ministro nunca fala sobre o desemprego e, por isso, vamos desafiá-lo a que se pronuncie», afirmou Bernardino Soares, revelando uma das linhas de intervenção da bancada comunista para o debate de ontem.
Centrada nas questões das injustiças sociais, do emprego e dos direitos dos trabalhadores, esta interpelação do PCP ao Governo foi assim marcada por uma enorme actualidade, num momento em que se agudizam fortemente os problemas sociais e laborais e em que se agravam as injustiças e as desigualdades.
Confrontar o Governo com os efeitos nefastos da sua política era, pois, um dos objectivos visados com este debate parlamentar pelo Grupo comunista. Entre outras, estava prevista a abordagem de matérias como a que respeita aos Laboratórios do Estado, empresas como a Quimonda, regiões como Braga duramente afectadas pelo desemprego, o sector da educação e a precariedade dos professores ou as novas regras do subsídio de desemprego.

Jovens entre os mais atingidos

Do total de 600 mil trabalhadores desempregados, cerca de 100 mil são jovens até aos 25 anos. A esta realidade há que juntar mais de um milhão e 200 mil trabalhadores com vínculo precário, muitos dos quais também jovens. Para a Comissão junto do Comité Central para as questões da Juventude, tais números são a demonstração inequívoca do «total falhanço das opções políticas e económicas deste Governo».
Em comunicado emitido dia 21, aquela Comissão junto do CC sublinha que a junção «destes assustadores níveis de desemprego» com outras medidas que o Executivo PS tem em preparação só reforçam as razões para a adesão dos jovens trabalhadores à Greve Geral do próximo dia 30 de Maio, «por uma política que valorize o papel e o direito ao trabalho».




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